terça-feira, fevereiro 08, 2005

Estátuas colossais

Kouros é uma palavra do grego antigo que significa jovem varão. Era também o nome dado às estátuas esculpidas em mármore nas ilhas gregas de Paros e Samos a partir do século VII a.C., representando jovens guerreiros de braços ao longo do corpo e de punhos cerrados, muito à moda de Creta.

Em 1980, à moda de coisa nenhuma e em plena era pós-punk, três jovens galeses de Cardiff, Stuart Moxham, Phil Moxham e Alison Staton, atiram-nos displicentemente com uma mão cheia de canções melódicas e minimalistas, gravadas em quatro dias. Como reacção a tudo o que faz(ia) sucesso, num único álbum (único) chamado Colossal Youth, com assinatura dos Young Marble Giants. Foram anunciados como o futuro do rock’n’roll e não é possível enumerar até onde vão as influências que deixaram (Portishead, Nirvana, REM, David Byrne, you name it...). Tão depressa chegam como partem. Durante mais de vinte anos não voltaríamos a ter notícias deles, mas não deixámos de ouvir deles, através dos outros. Há pouco mais de um ano reuniram-se num programa na BBC Radio do País de Gales. Hoje, quase ninguém sabe quem foram e o que fizeram. Mesmo na sua própria terra. Mas é possível reconhecê-los no trabalho que muitos outros fazem e que apreciamos. Num livro sobre arquitectura grega as estátuas de Kouros são descritas desta forma:

A colossal state of youth: young marble giants greeted the sailor as he entered the home stretch to Athens. Two basic intuitions of Greek art – tensed vitality and geometric structuring – are as yet disunited; the sculptor partly carves, partly maps an abstract concept of human form onto the rectangular block.

Hoje em dia, não é fácil encontrar o único álbum dos Young Marble Giants, Colossal Youth. Mas se tiver oportunidade, não deixe de ouvir. Irá perceber que há coisas fundamentais que estiveram sempre ali. Aqui.

4 Comments:

Blogger Gil Cunha said...

Uma magnifica criação caseira... Todo o seu encanto está na sua simplicidade... Uma obra de culto quase caída no esquecimento mas que de facto foi uma grande influência para muitas bandas... Já agora fica aqui a informação que a reedição deste álbum (de facto difícil de encontrar) trás ainda como extra os lp's que entretanto lançaram.

3:37 da tarde  
Blogger O Puto said...

Um álbum tão poderoso quanto simples. Conheci-os apenas no início dos 90s, quando um amigo meu me gravou uma cassete a partir do velho vinil. Quando o ouvi apercebi-me onde muitas bandas banham as suas influências.
A reedição penso ser da Diques du Crépuscule.

1:41 da manhã  
Anonymous Anónimo said...

Crepúsculo dos Deuses

Um sorriso de espanto brotou nas ilhas do Egeu
E Homero fez florir o roxo sobre o mar
Kouros avançou um passo exactamente
A palidez de Atena cintilou no dia.

Sophia de Mello Breyner

Para quem gosta de deuses a irromperem na paisagem...

6:59 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

Nem uma ruga desde que foi gravado, é pena que os influenciados sejam mais aclamados que os influênciadores (que merecem mais).

Mário
retorta.net

12:20 da tarde  

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